Uma vez, a Izadora me perguntou em quanto tempo eu superaria ela. Sem pensar muito, respondi que, em um ano, isso poderia acontecer. Lembro que ela ficou muito chateada com essa resposta.
Hoje, pensando bem, me pergunto: o que é superar? É não pensar mais nela? Se essa for a resposta, então acho que nunca vou superar. Sempre, de vez em quando, ela aparece nos meus pensamentos. Lembro do rosto dela, do sorriso, das covinhas, da voz, dos momentos que vivemos, das coisas que ela compartilhava comigo, das risadas que demos, dos sonhos que dividimos.
A verdade é que não vejo essas lembranças como algo ruim. Claro que, às vezes, vêm memórias dolorosas de como eu a feri, a magoei e de como não fui aquilo que queria ser para ela. Mas, mesmo quando isso acontece, não fico triste, porque ainda são lembranças de uma pessoa que marcou profundamente a minha vida e a minha trajetória. Uma pessoa que me fez mudar, que me ensinou a enxergar felicidade nas bobagens da vida, como o jeito engraçado de falar algumas palavras.
Alguns exemplos: “celebro”, “imbigo”, “muinto”, “moes” e por aí vai. Sinceramente, essas pequenas bobagens ainda me fazem sorrir.
Voltando ao ponto principal: se superar significasse nunca mais pensar nela, eu perderia esse olhar para as pequenas coisas e deixaria de rir dessas lembranças. Então, dessa maneira, acho que nunca vou superá-la.
Claro que sou feliz sem ela. Posso conhecer outras pessoas e sentir algo parecido novamente. Mas lembrar dela é algo que me faz bem. Por isso, talvez eu não precise superar no sentido de apagar. Talvez apenas seguir em frente, carregando comigo, com carinho, tudo aquilo que foi importante.
